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Grávida da Murtosa: Alegações finais do julgamento de Fernando Valente agendadas para 11 de junho

O caso da desaparecida Mónica Silva, conhecida como a “grávida da Murtosa”, aproxima-se da sua fase decisiva. O Tribunal de Aveiro agendou para o próximo dia 11 de junho as alegações finais do julgamento de Fernando Valente, o único arguido do processo, acusado de matar e ocultar o corpo da mulher com quem mantinha uma relação e que se encontrava grávida de sete meses. Ao contrário do que aconteceu durante a fase de produção de prova, as alegações finais decorrem à porta aberta, permitindo o acesso do público e da comunicação social.

O julgamento, que decorre desde abril com um tribunal de júri (composto por três juízes e oito jurados), tem sido marcado por grande mediatismo e por revelações sensíveis. A juíza responsável determinou que as sessões anteriores decorressem à porta fechada, devido à necessidade de proteger os filhos menores da vítima e preservar a sua dignidade pessoal face aos detalhes chocantes do processo. Fernando Valente, que está em prisão domiciliária, responde pelos crimes de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver, acesso ilegítimo e aquisição de moeda falsa.

Na sessão desta sexta-feira, 31 de maio, foi ouvida a última testemunha de acusação e a mãe do arguido, que depôs em defesa do filho. Foram ainda reproduzidas as declarações para memória futura de Fernando Valente, prestadas durante o interrogatório judicial inicial. A próxima sessão, marcada para terça-feira, incluirá a inquirição de um homem que poderá ser o verdadeiro pai da criança que Mónica Silva esperava, elemento que poderá ter impacto direto na análise do motivo do crime.

Segundo a acusação do Ministério Público, Fernando Valente terá matado Mónica Silva na noite de 3 de outubro de 2023, no seu apartamento na Torreira, com o objetivo de escapar à responsabilidade da paternidade e impedir que a vítima ou o futuro filho pudessem beneficiar do seu património. O corpo da vítima nunca foi encontrado, tendo o arguido alegadamente ocultado os restos mortais em local desconhecido durante a madrugada de 4 de outubro e nos dias seguintes, numa tentativa deliberada de impedir a descoberta do crime.

Este processo judicial é acompanhado com grande expectativa pela opinião pública e representa um dos casos criminais mais marcantes dos últimos anos em Portugal, tanto pela natureza dos crimes como pela ausência do corpo da vítima. O desfecho do julgamento poderá trazer respostas definitivas sobre o que realmente aconteceu a Mónica Silva — e determinar o futuro de Fernando Valente perante a Justiça.

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