Meninos franceses aterrorizados! Vivem num “turbilhão emocional” e perderam “a confiança nos adultos”, avança psicóloga

A psicóloga clínica no Instituto de Apoio à Criança, Melanie Tavares, revela, na edição desta semana que está nas bancas da revista ‘Sábado’, que o abandono dos meninos de 3 e 5 anos pela mãe e pelo namorado desta, numa zona de mato entre Alcácer do Sal e a Comporta, foi “cruel” e “traumático”, podendo ter, já no imediato, e futuramente, consequências graves para a personalidade destas crianças.
A história de abandono de Barthélémy e Zacharie, de 3 e 5 anos, chocou Portugal. Sem terem idade para ter voto na matéria, viajaram obrigatoriamente com a mãe, Marine Rousseau, de 41 anos de idade, e com o namorado desta, Marc Ballabriga, de 55 anos, ex-polícia condenado por violência contra a mãe da filha Emma em 2010, desde a pequena cidade de Colmar, perto de Estrasburgo, no leste de França. Marine não tinha antecedentes criminais e apresentava-se no perfil da rede profissional Linkedin como “sexóloga e formadora”. Ambos foram cúmplices ao abandonar, vendados, e com o ardil de irem procurar um brinquedo na “floresta”, os dois meninos. Foram salvos por Alexandre Quintas, um padeiro pai de dez filhos, que os acolheu, antes de chamar as autoridades e o caso se tornar público.
Uma semana depois dos factos que mudaram, para sempre, a vida destes dois meninos, a ‘Sábado’ fala com a psicóloga Melanie Tavares que assegura que “estas crianças agora precisam de colo”. Para a especialista, os efeitos do abandono podem ser traumáticos. Em nada muda esse cenário fatídico o facto de depois de terem sido achados por Alexandre Quintas terem comido gelados, de terem usado lápis e papel para desenhar ou bicicletas e carrinhos para brincar nas imediações da padaria.
Ficarão com marcas para sempre, garante Melanie Tavares: “Viveram momentos de angústia e de medo, perderam todas as referências do contexto familiar”, sustentando que Barthelemy e Zacharie perderam, em poucas horas “uma figura afetiva de referência, que neste caso seria a mãe – que revela ter uma personalidade de grande frieza, antissocial, sem remorso, sem afeto e sem empatia – e sentem-se completamente desorganizados, sem reconhecerem o lugar, uma pessoa, nada, além de não dominarem a língua. Portanto, isto terá efeitos no desenvolvimento das crianças”.
DESEQUILÍBRIOS EMOCIONAIS E TODOS OS SINAIS DE TRAUMA
Apesar de os irmãos estarem juntos e ao cuidado de uma família francesa residente em Portugal, que foi indicada pela embaixada de França em Lisboa, e de no final desta semana, o mais tardar no início da próxima, seguirem para Colmar, em França, onde ficarão sob a responsabilidade das autoridades francesas e no imediato ao cuidado de outra família de acolhimento nesta região da Alsácia, haverá, de acordo com o que Melanie Tavares referiu à ‘Sábado’ desequilíbrios emocionais em relação aos quais os tutores dos menores terão de estar vigilantes. “Mesmo que ao nível do discurso oral não consigam organizar qual foi a sua percepção, existe internamente uma alteração do equilíbrio emocional, um turbilhão de emoções que têm efeitos nos seus comportamentos e atitudes”, garante.







