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Meninos abandonados em Alcácer do Sal continuam sem solução: ausência da família francesa gera preocupação

O caso de Barthélémy e Zacharie, os dois irmãos franceses de apenas 3 e 5 anos encontrados abandonados numa estrada em Alcácer do Sal, continua a suscitar forte preocupação tanto em Portugal como em França. Depois da detenção preventiva da mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e do companheiro, Marc Ballabriga, de 55, as autoridades continuam a procurar uma solução para o futuro das crianças, que permanecem sob proteção estatal. O que mais surpreende os responsáveis pelo processo é a ausência de familiares dispostos a assumir a guarda dos menores.

Desde que o caso veio a público, nenhum membro da família materna ou paterna manifestou intenção de acolher os dois irmãos. A única reação conhecida partiu do pai das crianças, que terá enviado um comunicado à comunicação social francesa através de um advogado. Ainda assim, a sua situação pessoal e financeira está longe de reunir consenso junto das autoridades responsáveis pela avaliação do caso, levantando dúvidas sobre a possibilidade de vir a assumir a guarda dos filhos.

Em declarações à FLASH, o ex-inspetor-chefe da Polícia Judiciária, Carlos Anjos, confessou estar surpreendido com a falta de envolvimento da família. O antigo responsável considera inédita uma situação em que crianças abandonadas num país estrangeiro não motivem qualquer deslocação ou iniciativa por parte dos familiares mais próximos. Para Carlos Anjos, esta ausência poderá refletir um distanciamento familiar profundo, embora admita que essa interpretação possa não corresponder à totalidade da realidade.

Outro dos aspetos que continua a gerar preocupação prende-se com as condições de vida do pai dos menores. Segundo informações transmitidas pelas autoridades francesas, o progenitor vive atualmente em condições precárias e não reúne, para já, os requisitos considerados necessários para proporcionar estabilidade e um ambiente adequado ao desenvolvimento das crianças. Além das condições materiais, a justiça francesa terá ainda de avaliar a sua capacidade parental e a idoneidade para exercer responsabilidades sobre os filhos.

Enquanto o Tribunal de Colmar analisa o processo, Barthélémy e Zacharie permanecem à guarda do Estado francês, num local que não foi divulgado pelas autoridades. O desfecho poderá ainda demorar vários anos, uma vez que todas as hipóteses estão a ser avaliadas, incluindo a integração num eventual circuito de adoção. Carlos Anjos lamenta também a reduzida atenção mediática dada ao caso em França, contrastando com a ampla cobertura realizada pelos meios de comunicação portugueses. Para já, o futuro dos dois irmãos continua envolto em incerteza, enquanto se procura uma solução definitiva que garanta a sua segurança e bem-estar.

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