Filho de Mónica Silva tem esperança de encontrar corpo da mãe

Com apenas 15 anos, o filho de Mónica Silva demonstrou uma força emocional comovente ao comparecer no tribunal para acompanhar o julgamento de Fernando Valente, principal suspeito do homicídio da sua mãe. Apesar da dor visível, o adolescente mantém viva a esperança de encontrar o corpo da mãe, desaparecida desde 7 de outubro de 2023, na Murtosa. O caso, que chocou o país, entrou agora numa fase decisiva, com a procuradora do Ministério Público a pedir 25 anos de prisão para o arguido.
O jovem, que tinha apenas 13 anos aquando do desaparecimento de Mónica Silva, foi apontado como uma das testemunhas-chave do processo. Foi ele quem ouviu a mãe a falar com Fernando Valente no dia do seu desaparecimento, e foi através do seu telemóvel que se conseguiu comprovar a comunicação entre ambos, naquela que terá sido a última interação conhecida de Mónica. Esta prova tornou-se central na acusação, que sustenta a tese de homicídio qualificado.
Em tribunal, o menor não conteve as lágrimas ao reviver os momentos que antecederam o desaparecimento da mãe. A sua presença foi não só simbólica, mas também fundamental para reforçar a acusação de que Fernando Valente teve contacto direto com Mónica Silva no dia 7 de outubro. O silêncio do arguido durante o julgamento tem sido interpretado como um sinal de frieza, o que só agravou a tensão emocional sentida na sala de audiências.
A procuradora do Ministério Público foi clara ao pedir uma pena exemplar: 25 anos de cadeia, alegando que o crime foi cometido com premeditação e extrema crueldade. Sublinhou ainda o sofrimento prolongado da família, em especial do filho menor, que desde então vive sem respostas claras nem o direito de fazer o luto de forma digna. A ausência do corpo de Mónica continua a ser um dos maiores obstáculos à conclusão definitiva do processo.
A família de Mónica Silva continua a apelar a quem possa ter informações que ajudem a localizar os restos mortais da mulher de 33 anos. O caso tornou-se um símbolo da luta contra a violência doméstica e de género em Portugal, despertando também um debate sobre a proteção das vítimas e a eficácia das medidas preventivas. O desfecho do julgamento está agora nas mãos do coletivo de juízes, e a sentença promete ser acompanhada de perto por uma opinião pública cada vez mais sensibilizada.







