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Avô da bebé esquecida em carrinha em Almada deixa desabafo comovente: “Aposto que não se esqueceu do telemóvel, mas esqueceu-se da minha neta”

A morte de Sofia, a bebé de apenas 18 meses que foi esquecida no interior de uma carrinha de transporte escolar em Almada, continua a chocar o país. Enquanto a investigação da Polícia Judiciária prossegue para apurar todas as circunstâncias da tragédia, o avô da criança falou pela primeira vez e deixou um desabafo carregado de dor.

Sem conseguir esconder a revolta, o familiar lamentou o que aconteceu à neta e afirmou: “Aposto que não se esqueceu do telemóvel, mas esqueceu-se da minha neta.” A declaração, feita à CNN Portugal, espelha a indignação da família perante uma tragédia que considera incompreensível.

Segundo o avô, Sofia era a única criança transportada na carrinha naquela manhã. Depois de ser entregue pela mãe à funcionária responsável pelo transporte, a bebé deveria ter sido deixada na creche situada no Pragal. No entanto, permaneceu no interior da viatura, que acabou por ficar estacionada junto às instalações do colégio, nas imediações do Cristo Rei. A criança só foi encontrada ao final da tarde, após mais de sete horas fechada no veículo, já sem sinais de vida.

O familiar revelou ainda que o estabelecimento utiliza uma aplicação móvel para acompanhar o percurso das crianças. A mãe recebeu a primeira notificação, confirmando que Sofia tinha sido entregue aos cuidados da funcionária responsável pelo transporte. Contudo, a segunda validação, que deveria confirmar a entrada da bebé no berçário, nunca foi enviada. Ainda assim, a ausência dessa notificação não despertou suspeitas, uma vez que, segundo a família, essa confirmação falhava com alguma frequência.

Sem respostas para o sucedido, os familiares procuram agora compreender como foi possível que ninguém tivesse detetado a ausência da criança durante tantas horas. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária, que procura apurar eventuais responsabilidades criminais e esclarecer se houve falhas nos procedimentos de segurança adotados pela instituição.

Entretanto, o Colégio Mestre Cuco manteve as portas encerradas enquanto decorrem as diligências das autoridades. A tragédia reacendeu o debate sobre a segurança no transporte escolar e a necessidade de reforçar os mecanismos de controlo e verificação da presença das crianças, com o objetivo de evitar que uma situação desta gravidade volte a repetir-se.

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