Grávida da Murtosa: quase três anos depois, desaparecimento de Mónica Silva continua sem respostas

O desaparecimento de Mónica Silva, conhecida em Portugal como a «grávida da Murtosa», continua a ser um dos casos mais misteriosos da justiça portuguesa. Quase três anos depois de ter sido vista pela última vez, a 3 de outubro de 2023, continua sem se saber o que aconteceu à mulher, que estava grávida de sete meses.
O processo judicial conheceu entretanto um desfecho quanto ao principal arguido. Fernando Valente, empresário apontado pelo Ministério Público como responsável pelo alegado homicídio de Mónica Silva, foi absolvido de todos os crimes de que estava acusado. A decisão foi confirmada pelo Tribunal da Relação do Porto, a 11 de junho de 2026.
Fernando Valente foi absolvido em duas instâncias
Fernando Valente foi julgado no Tribunal de Aveiro, num julgamento realizado com intervenção de um tribunal de júri. A 8 de julho de 2025, foi absolvido dos crimes de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver, acesso ilegítimo e aquisição de moeda falsa para ser colocada em circulação.
O Ministério Público e a família de Mónica Silva recorreram da decisão, contestando a absolvição do empresário.
Contudo, o Tribunal da Relação do Porto confirmou a sentença em junho de 2026, considerando que os recursos apresentados não tinham fundamento suficiente para alterar a decisão.
Os desembargadores entenderam que vários elementos indiciários apresentados pela acusação não ficaram demonstrados ou perderam força perante os restantes meios de prova. Assim, não foi possível estabelecer, com a segurança exigida em processo penal, a culpa de Fernando Valente.
Com duas decisões absolutórias, o empresário ficou livre de todas as acusações que lhe tinham sido imputadas neste processo.
Importa, contudo, distinguir a absolvição do arguido do esclarecimento do desaparecimento: a decisão judicial não revelou o paradeiro de Mónica Silva nem explicou o que lhe aconteceu.
O que aconteceu na noite em que Mónica Silva desapareceu?
Mónica Silva tinha 33 anos e vivia na Murtosa. Na noite de 3 de outubro de 2023, saiu de casa depois de jantar com os dois filhos, dizendo que ia tomar café.
A mulher estava grávida de sete meses e nunca mais regressou a casa.
A investigação da Polícia Judiciária procurou reconstruir os seus últimos movimentos através de elementos tecnológicos, registos de comunicações e imagens de videovigilância.
A acusação do Ministério Público sustentava que Mónica teria estado com Fernando Valente, que seria o alegado pai da criança que esperava. Segundo a tese da investigação, o empresário teria cometido o crime para evitar as consequências relacionadas com a paternidade.







