15 anos depois, Renato Seabra quebra o silêncio e vai depor em tribunal pela primeira vez

A 7 de janeiro de 2011, o cronista social, Carlos Castro, foi vítima de um homicídio violento num hotel em Manhattan. Mais de uma década depois de ter sido condenado pelo crime, Renato Seabra, que cumpre uma pena que pode ir dos 25 anos à prisão perpétua, está a trabalhar ativamente com a sua equipa jurídica para tentar reverter a decisão do Supremo Tribunal de Nova Iorque, avança o Observador.
O advogado Scott B. Tulman, que representa Seabra desde 2014, está a ultimar uma moção ao abrigo da Lei de Processo Criminal 440.10. Ao contrário de tentativas anteriores, este recurso tem um objetivo mais ambicioso: anular a condenação.
Segundo Tulman, ex-procurador de homicídios, este processo continua a ser considerado um “caso em aberto”. A demora na entrega da moção é justificada pelo envolvimento direto de Renato Seabra na preparação dos documentos, apesar das dificuldades de comunicação inerentes a uma prisão de segurança máxima.
Um testemunho inédito
A grande reviravolta desta nova fase judicial é a disponibilidade de Renato Seabra para falar. Durante o julgamento original, em 2012, o jovem de Cantanhede não prestou declarações durante as sessões e pediu dispensa para não assistir ao julgamento. Renato Seabra falou apenas no dia da leitura da sentença para pedir desculpa.
Desta vez, a moção incluirá uma declaração sob compromisso de honra de Renato Seabra, que se prepara para enfrentar um contra-interrogatório em tribunal, algo que nunca aconteceu até hoje.
Esta não é a primeira vez que a defesa tenta reduzir a responsabilidade de Seabra. Em 2018, um recurso foi recusado após Tulman alegar que a defesa anterior foi ineficaz ao focar-se apenas na tese de insanidade, ignorando a possibilidade de invocar “perturbação emocional extrema” como atenuante.
Até à data, as únicas palavras públicas de Seabra sobre o crime foram proferidas no momento da sentença. Na altura, o jovem admitiu a autoria do crime, mas afirmou não compreender o que o levou a agir de forma violenta:
“Quero dizer que matei Carlos Castro. Não é algo que eu queira apresentar de forma diferente. No momento em que entrei no quarto, nesse dia, algo tomou conta de mim. Costumávamos brincar à luta um com o outro, mas era sempre a brincar. Eu nunca fui agressivo antes. Nunca tive qualquer briga com o Carlos”, disse o arguido. “Nesse dia, não sei o que se apoderou de mim. Não compreendi a forma como as coisas aconteceram e não conseguia perceber porquê. Por fim, quero mais uma vez pedir desculpa aos amigos e à família do Carlos Castro e aceito qualquer pena que o juiz me quiser aplicar, porque cometi o crime e agora só Deus sabe o que aconteceu naquele dia”.







